domingo, 17 de março de 2013

E eu sempre fui gorda...

Eu sempre fui gordinha. Já falei várias vezes aqui no blog. Hoje mais do que nunca, tenho consciência dos erros cometidos no passado, não só por mim, mas por meus pais também. Não os julgo, mas sei que não agiram da melhor forma. Paciência. Não temos como mudar o passado. Sempre fui muito amada e fico feliz por isso.
Vendo umas fotos de quando eu era mais nova, me bateu mais ainda a ideia da obesidade infantil. Hoje eu percebo que eu era muito mais gorda do que eu pensava que era. Meus pais também têm culpa nisso. Vendo essas fotos junto com a minha mãe, eu falava com ela, impressionada: "Mãe! Eu to muito gorda nessa foto!". E ela respondeu: "Mas olha como tá bonita! Essa blusa é da marca tal...". Os valores dela são diferentes. É como se ser/estar bonita acabasse com o fato de eu estar gorda. No fim das contas (e das fotos) não consegui convencê-la de que eu sempre fui muito gorda, e de que isso era um fato recente. Infelizmente não consigo voltar no tempo e me pesar, para mostrar a ela o meu IMC (Índice de Massa Corporal). Deixei ela com a opinião dela. Não faz diferença mesmo! No final da postagem, coloco algumas dessas fotos pra vc mesmo tirar a sua conclusão, se eu era gorda ou não.

Coincidentemente nesses mesmos dias, assisti ao documentário "Muito Além do Peso" (segue o vídeo aí embaixo). SENSACIONAL! Todos os pais, principalmente, deveriam assistir a esse vídeo. Incrível! Me emocionei várias vezes e me identifiquei com várias crianças. Me bateu um desespero tremendo quando eu olhava aquelas bochechas "rechonchudas" chorando por um saquinho de batatinha, ou um menininha que pedia a mãe para ser magra. 
Quando eu tinha meus 6 anos, eu era modelo. Desfilava para várias lojas de roupa infantil aqui da minha cidade, saia no jornal e me sentia. A medida que fui crescendo, fui engordando e tive que largar esse "trabalho". Não podia mais desfilar porque o que era apenas fofinho, tornava-se feio, e as roupas não caiam tão bem. Lembro como se fosse hoje, de uma conversa que tive dentro do elevador com a minha mãe, onde eu perguntava a ela, se eu emagrecesse, eu poderia voltar a desfilar? Ela disse que sim! Mas eu nunca emagreci... e nunca pude voltar às passarelas! :(  É uma coisa que sempre guardei, mas que hoje vejo que me fez sofrer muito. 

Quanta coisa a obesidade me privou?! 
Eu sempre tive apelidos na escola, (o mais marcante era "CarolBall" [Carol Bola]), sempre usava tênis e roupas largas. Só comprava calça jeans em lojas masculinas, porque eram as únicas que me serviam. Sempre achei isso tudo normal, e nunca notei o quanto me fazia sofrer. Hoje vejo claramente que fui uma criança sofrida - sem muitos drama... espero que entendam! Eu não sabia o que era ser feliz de verdade. Era uma felicidade medíocre, limitada. Eu ficava feliz em comer, aos 10 ou 11 anos, um Big Mac + Batata frita + refrigerante. Me achava grande e adulta por comer um lanche desse tamanho. Me achava madura, porque comia pimenta, igual o meu pai, e não pestanejava diante de um chouriço. Tinha orgulho disso tudo. Eu achava realmente que era feliz.  

Depois que terminei de assistir ao documentário, chorei de soluçar. Chorei por ter percebido, tardiamente, tudo que eu sofri na minha "tão feliz" infância. Chorei também por saber que vou ter filhos (pelo menos pretendo), e que não posso errar com eles! Não julgo meus pais. Tenho certeza que eles não erraram conscientes. Fizeram sempre o que achavam melhor pra mim, mas infelizmente não era.  Chorei também porque quero ser mãe, e não quero cometer os mesmo erros. Quero que meus filhos tenho consciência do que estão comendo e de que comida não é prazer e muito menos carinho. Comida é alimento e pronto.

Desculpem o desabafo. O documentário realmente mexeu comigo e me queria compartilhar. 
Aí embaixo seguem algumas fotos da minha infância/adolescência. Não deixem de reparar nas roupas...



                            
 






                     






7 comentários:

  1. Oi querida, sou nova no seu cantinho, comecei a te seguir hoje e estou amando a sua evolução parabéns...
    Sobre seu relato eu tb fui uma criança cheinha, mas não fui gorda, sempre fui neurótica engordei mesmo depois que engravidei...
    Bjinhs e tenha uma ótima semana...
    www.lupinheirorj.blogspot.com.br

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  2. Eu tb sempre fui gordo, a obesidade me acompanhou desde a infância e digo que ela tirou parte da minha vida, pq além de uma doença, ela foi minha prisão, me privou de tantas coisas que eu se eu relatar aqui vai virar um livro e vou começar a chorar, como somos chorões neh...hehehehehe....o documentário realmente eh excelente, já havia assistido e é um retrato fiel da obesidade indantil no Brasil e no mundo...
    Aguardo sua visita no meu |Blog| e |Vlog| onde conto tudo sobre minha Cirurgia Bariátrica (Gastroplastia ou Redução de Estômago).
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  3. oi amiga, eu também fui uma criança gorda, e penso q minha mãe errou na tentativa de acertar, ela trabalhava duro como caixa de supermercado e em ksa nunca falta guloseimas... o importante é agora a gente não cometer os mesmos erros, ou rezar para nossos filhos não possuírem a tendencia a obesidade rsrsr... pois em ksa até podemos controlar o q eles comem, mas sempre vai existir uma cantina na escola, um doceiro no meio do caminho... um super bj, adorei as fotos!!!

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  4. Oi carol. Estou aqui emocionada só em ler o teu post, me identifiquei em TUDO. Também acho que meus pais tem sua parcela de responsabilidade no rumo que meu peso foi tomando, mas não consigo os culpas completamente por isso... ainda não tive coragem de assitir ao video, mas o farei (em casa, porque chorar no trabalho nao é bacana).
    Bjs, e sucesso!

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  5. Oi Carol... Eu tbm sempre fui gordinha... Piorei a uns 10 anos para cá e nesses ultimos 3 anos cheguei ao extremo... Culpo meus pais em parte, tentavam colocar limites, porém se deixavam vencer, alias por ser filha unica, sempre minhas vontades foram feitas, e agora estou aqui, 2 meses pós bariatrica tentando uma vida nova e corrigir os erros q cometi tbm...

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  6. Eu também fico triste ao lembrar dessa parte da minha infância, eu fui uma criança super magra, meu apelido era grilete rsrsrs, depois dos 11 anos comecei a engordar e senti na pele a maldade das outras crianças, sei como é, e não é culpa dos nossos pais antigamente criança gorda era sinônimo de criança com saúde, hoje temos outros conceitos e não vamos errar com nossos filhos. Beijos e parabéns pela evolução.

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  7. carol, eu tb vi o ducumentário esses dias.... e o "lado bom" foi tirar um pouco da culpa que eu sinto... pq vi que não foi só culpa minha e dos meus pais mas da SOCIEDADE.

    eu tava escrevendo um romance aqui nos comentários ai resolvi fazer um post sobre o assunto, eu resposta ao seu post ehehehe... da uma olhadinha...

    http://30emagrinha.blogspot.com.br/2013/03/o-amor-pode-nos-cegar.html

    beijocas

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